O Projeto Pixinguinha está de volta. Interrompido em 1997, depois de 20 anos levando a música de grandes artistas aos quatro cantos do país – sempre a preços populares –, o projeto retorna agora com patrocínio da Petrobras e apoio do Ministério da Cultura. Para esta nova fase, a Funarte selecionou 48 artistas, entre novos e consagrados, como o piauiense Gilvan Santos. A Fundação Cultural do Piauí (Fundac) já acertou todos os detalhes para a chegada dos artistas à capital e promoção do espetáculo.
Divididos por quatro diferentes roteiros, eles percorrerão a cada mês as 27 capitais e mais outras quatro cidades brasileiras. A terceira dessas caravanas começa no dia 15 de setembro, em Brasília, chega a Teresina no dia 17 de setembro com shows de Zé Renato, Mário Adnet, Virgínia Rosa e Nonato Luiz.
O evento acontece a partir das 18h30, no Theatro 4 de Setembro. Os ingressos custarão apenas R$ 5,00. O elenco segue depois para Sobral (19), São Luís (21), Belém (23), Macapá (25), Manaus (27) e Boa Vista, onde este roteiro termina no dia 29 de setembro.
Para dirigir esta terceira caravana do Projeto Pixinguinha foi convidado o autor e diretor de teatro Flávio Marinho. Autor de sucessos teatrais como o musical ‘Splish Splash’, dirigido por Wolf Maya, ou comédias como ‘Abalou Bangu’, ‘Um dia das mães’, com Eva Wilma, e ‘Os sete brotinhos’, entre outras, Flávio considera o projeto fundamental: “Um projeto que dissemina pelo país a música brasileira de qualidade a preços populares é um verdadeiro presente à população”.
Projeto revelou artistas como Zizi Possi
Criado em 1977, o Projeto Pixinguinha foi um dos mais importantes programas da música popular brasileira. Através dele, artistas ainda desconhecidos - como Zizi Possi, Leila Pinheiro e Djavan - foram apresentados ao grande público ao lado de nomes consagrados como Elizeth Cardoso, Martinho da Vila, Cartola, Nara Leão e Paulinho da Viola, entre outros, em shows memoráveis. Os espetáculos percorreram as capitais e quase todas as grandes cidades de Norte a Sul do país. Foram, ao todo, 3.673 shows que reuniram mais de 694 cantores e músicos solistas (sem contar os acompanhantes).
Suspenso em 1997, o Projeto Pixinguinha retoma agora sua trajetória. Ana de Hollanda, diretora do Centro da Música da Funarte, define o novo formato do projeto: “Para esta nova fase do Pixinguinha foram formados quatro roteiros, com diferentes elencos, que farão 93 shows, reunindo 48 artistas e cerca de 96 músicos acompanhantes.
Os espetáculos acontecerão, simultaneamente, a cada mês, nas cinco regiões do país, Norte, Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Os shows – com elencos formados por dois nomes consagrados e um artista selecionado dentre os indicados pelas Secretarias de Cultura locais – percorrerão as 27 capitais, incluindo Brasília, e mais quatro cidades estratégicas por sua importância cultural e demográfica.”
Os artistas programados para o Projeto Pixinguinha de 1997, que não se realizou, já estão pré-selecionados para compor os primeiros elencos de 2004. São eles: Billy Blanco, Caio César, Dona Ivone Lara, Ellen de Lima, Época de Ouro, Jane Duboc, Jards Macalé, Joyce, Mário Adnet, Ná Ozetti, Nó em Pingo D’Água, Sebastião Tapajós e Zé Renato.
Mais de mil candidatos
Para selecionar os artistas que se apresentarão ainda este ano e todo o ano de 2005, a Funarte divulgou um edital, aberto a músicos de todo o país, estabelecendo as regras para as inscrições. De um total de 1.216 inscritos, uma comissão julgadora formada por críticos de música de diferentes cidades ouviu e selecionou 87 artistas. “O mais surpreendente foi não só o número de inscritos, mas sobretudo a quantidade de artistas consagrados, o que mostra o interesse e a força do Pixinguinha”, destaca Antonio Grassi, presidente da Funarte.
Foram também indicados outros 63 nomes para compor uma lista de suplentes, no caso de alguma desistência. João Máximo, presidente da comissão julgadora, revela que não foi fácil fazer a seleção: “Ficou muita gente boa de fora, tanto que fizemos uma lista de suplentes. Foi duro também colocá-los em ordem”.
E continua: “Procuramos fazer uma mistura de gêneros e gerações, que sempre foi uma das características mais marcantes do projeto”, explica. “A idade não foi um critério. Priorizarmos aqueles que ainda não tiveram uma chance de se projetar nacionalmente. Foi uma escolha democrática e na qual não houve interferência externa, nem mesmo da própria Funarte”, completa.
Além deste elenco, as secretarias de cultura estaduais e municipais também indicaram artistas (até 10 por secretaria) para serem submetidos a um outro júri, que selecionou 44 nomes, divididos da seguinte forma: sete de uma seleção nacional; os dois melhores de cada uma das cinco regiões do país (10 ao todo) e, por fim, o melhor de cada estado (num total de 27). Das indicações do Piauí foi escolhido Gilvan Santos.
Todos estes 144 artistas – os 87 selecionados das inscrições, os 44 selecionados dentre os indicados pelas secretarias e os 13 selecionados da edição de 1997 que não aconteceu – serão divididos em grupos de quatro (três, em 2005). Cada grupo forma uma caravana que percorre um roteiro de oito cidades. Para dirigir os shows de cada caravana, a Funarte convidou diretores como Moacir Chaves, Márcio Meirelles e João das Neves, diretor da legendária montagem teatral “O último carro”.
Elenco da terceira caravana (que estará em Teresina no próximo dia 17, a partir das 18h30, no Theatro 4 de Setembro):
Zé Renato - Nascido em Vitória, no Espírito Santo. Ele começou sua carreira em 1977 no grupo Cantares. Mas foi no quarteto vocal Boca Livre, já no Rio, ao lado de David Tygel, Maurício Maestro e Cláudio Nucci, que ganhou projeção nacional e gravou vários discos. Desde 1982, desenvolve uma carreira solo paralela ao grupo, do qual só se desligou em 1999. Seus mais recentes trabalhos incluem releituras do trabalho de artistas como Noel Rosa, Chico Buarque e Orlando Silva.
Mário Adnet - Compositor, violonista, produtor e arranjador. Já soma 27 anos de carreira desde que integrou o grupo Semente em 1977. Suas músicas já foram gravadas no Brasil e no exterior por artistas como Joyce, Leny Andrade, Charlie Byrd, Chuck Mangione e Lisa Ono. Como arranjador, trabalhou para nomes como Michel Legrand, Lisa Ono, e songbooks de Almir Chediak, entre outros. Seu arranjo de “Maracangalha” foi escolhido por Tom Jobim para seu disco “Antonio Brasileiro”, premiado com um Grammy na categoria jazz latino. Apresentou ainda programas de música nas rádios MEC e Alvorada.
Virgínia Rosa - Mesmo com formação erudita, desde o início da carreira, a paulistana optou pela música popular. Começou no grupo Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, e mais tarde com Ná Ozzetti e Tetê Espíndola, até iniciar sua carreira solo no início dos anos 90. Em 1997, gravou seu primeiro CD, “Batuque” – também lançado nos EUA – que, além de elogios da crítica, lhe rendeu a indicação de cantora revelação no Prêmio Sharp. “A voz do coração” foi lançado em 2001, com músicas de Chico César, Herbert Vianna, Gilberto Gil e Luis Melodia, entre outros. Uma homenagem feita a Clara Nunes por Virgínia virou especial da TV Cultura no final do ano e será lançado em DVD ainda em 2004.
Nonato Luiz - Nascido no interior do Ceará, escolheu o violão depois de ter passado pelo cavaquinho e pelo violino. Virtuose do instrumento, ganhou em 1977 um concurso da TV Tupi em São Paulo. Seu primeiro disco, “Terra”, foi lançado em 1980, com participações de Fagner e João Donato, entre outros artistas consagrados. Já gravou discos na África do Sul e França e excursiona regularmente pela Europa. Em 1991, participou do Free Jazz Festival. O trabalho ao lado do pianista Túlio Mourão rendeu trabalhos como o CD “Carioca”.