15 Maio, 2019 9:27

Defensoria leva atendimento e orientações sobre violência contra a mulher e humanização

Ação fez parte da programação da Semana Nacional da Defensoria Pública, que prossegue até sábado (18).

Lázaro Lemos
Durante a conversa muitos esclarecimentos foram repassados às mulheres da comunidade (Lázaro Lemos)

Com uma roda de conversa sobre “Violência contra a Mulher e Humanização”, atendimentos direcionados às mulheres e orientações da Defensoria Itinerante, foi realizada, nessa terça-feira (14), no Centro Social Urbano do Parque Piauí, mais uma ação da Semana Nacional da Defensoria Pública.

O momento contou com a participação do defensor público geral do Estado do Piauí,  Erisvaldo Marques dos Reis; da subdefensora pública geral e coordenadora da semana, Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior, tendo como convidada a doula Naira Cibele Rodrigues Lopes. Integraram a ação, os titulares do Núcleo da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da DPE-PI, Lia Medeiros do Carmo Ivo, que coordena o núcleo; Verônica Acioly de Vasconcelos e Armano Carvalho Barbosa. Também estiveram presentes, a defensora pública Elisa Cruz Ramos Arcoverde e o defensor público Ricardo Moura Marinho.

A roda de conversa foi aberta pela defensora pública Verônica Acioly, que enfatizou a importância de expor o trabalho da Defensoria Pública para as mulheres e também para os homens presentes. A defensora destacou ainda que os presentes ao evento podem cumprir o papel de multiplicadores das informações repassadas, contribuindo para o respeito e valorização das mulheres.

Carla Yáscar destacou o tema abordado. “Ao longo dos anos, a mulher foi perdendo o protagonismo da própria vida e um dos momentos em que ela perdeu foi exatamente no parto. É um momento em que a gente se entrega por completo a um profissional, que pode não possuir a sensibilidade que necessitamos ali. Por isso é necessária essa questão da humanização. A fala que, hoje, a doula Naira Cibele nos traz é uma importante contribuição para que a mulher se veja novamente protagonizando a própria vida, no controle, empoderada e, estando empoderada no momento do parto especificamente, terá dado um grande passo para que, em outros momentos da vida, ela se sinta cada vez mais forte. Quando a mulher sai do parto feliz, tem ali uma experiência positiva, fica muito mais forte para defender seus filhos e suas famílias. É importante que as mulheres que estão aqui, hoje, multipliquem esses conhecimentos, em casa, com a família, com as amigas, com as vizinhas, para que cada vez mais mulheres saibam dos seus direitos e possam buscá-los de forma pontual”, afirmou a coordenadora.

Naira Cibele Lopes, que também é cientista social e ativista pela humanização do parto no Piauí, falou sobre a necessidade do fortalecimento das mulheres. “A importância desse momento é poder fortalecer essas mulheres sobre a temática da humanização do parto e sobre o que é violência obstétrica. Por meio do diálogo, das conversas, da troca de relatos, nós mulheres acabamos nos somando umas às outras e nos fortalecendo, nos unindo em prol do melhor atendimento, de uma melhor assistência ao parto e ao bebê. Como receber de forma amorosa, cuidadosa e respeitosa um bebê que está nascendo, uma mulher que está parindo”, afirmou a doula.

A coordenadora do Núcleo da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar chamou a atenção das presentes para outros tipos de violência contra as mulheres. “Existem coisas que a mulher acha que tem que aguentar calada. Quem não lembra das frases “ruim com ele pior sem ele”, ou “ele que sustenta as crianças”? São produtos de uma cultura machista, na qual a mulher sempre é subserviente. Então, que a gente possa falar sobre essa violência, que acontece muito dentro de casa e que muitas vezes, quando ficamos caladas, estimulamos o crescimento, inclusive levando aos casos de feminicídio. Muitas vezes as mulheres sofrem caladas, por acharem que a violência é natural, que faz parte da vida, que a mulher tem que aguentar. Existem pesquisas recentes que mostram que a maioria dos casos de feminicídio acontecem com mulheres que nunca procuraram pelos serviços de atendimento e proteção. Por isso é muito importante romper esse silêncio e procurar  pelos serviços disponíveis”, destacou Lia Medeiros.

O defensor público geral falou sobre a campanha desenvolvida neste ano pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep),  com o apoio do Colégio Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege), destacando a necessidade de discutir de forma séria e aprofundada a questão da violência contra a mulher.

“A Defensoria brasileira, como um todo, está desenvolvendo essa campanha pela garantia dos direitos das mulheres. Mais do que nunca são necessárias a informação e divulgação sobre qualquer tipo de violência contra as mulheres, para evitar que os casos de violência doméstica e feminicídio continuem a aumentar. Então, é um tema cada vez mais atual. Faz-se necessário discutir e difundir informações pertinentes para que, principalmente as mulheres, possam saber sobre seus direitos e que têm na Defensoria Pública o apoio que necessitam. Temos o Núcleo da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, com três defensores, dra Lia Medeiros, dra Verônica Acioly e dr. Armando Barbosa, que realizam um trabalho excepcional, apesar das dificuldades, contando com o apoio dos servidores e estagiários. Temos ainda as defensoras e defensores regionais, que atuam em todas as áreas, mas se dedicam quando têm uma situação de violência e as assistidas merecem um atendimento mais acolhedor, de uma forma especial, porque sabemos que quando essas mulheres chegam à Defensoria, reivindicando seus direitos, chegam muito fragilizadas. É uma realidade. Nós, como homens, também temos que nos conscientizarmos sobre a importância de uma mudança comportamental em relação às mulheres. O importante é enfatizar que a Defensoria vai continuar atuando e defendendo, incansavelmente, as mulheres que necessitarem”, afirmou Erisvaldo Marques.

Autoria: Ângela Ferry
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