13 Novembro, 2017 14:35

Professor de química da Uespi realiza pesquisa do óleo babaçu como biodiesel

O projeto contou com o apoio do governo de R$ 6 milhões na construção de laboratórios e já dura cerca de 7 anos.

As mudanças climáticas ocasionadas pela intensa poluição atmosférica dos meios de transporte, vem motivando pesquisadores a buscar reservas naturais para solucionar problemas relacionados ao meio ambiente. O uso de energias sustentáveis, como a produção de recursos naturais para a substituição de antigos poluentes, vem crescendo como fontes de esperança ambiental. Dentre eles, destaca-se a produção de soja para a extração do óleo, como forma de combustível de biodiesel. Uma fonte muito comum no Brasil e viável, porém de curto prazo de duração.

Pensando na possibilidade de uma fonte natural que dure mais que as outras, como o óleo de soja, o professor de Química da Universidade Estadual do Piauí, Manoel Gabriel Rodrigues, realiza um projeto em função da produção do óleo de coco babaçu como biodiesel.

Segundo o docente, o óleo de babaçu já existe há muito tempo como um produto que não agregaria valor econômico, mas ele observou que o babaçu tinha uma característica muito peculiar em relação ao óleo de soja. “Juntos, eles proporcionam uma mistura de longa duração e com benefícios totalmente naturais”, afirma.

O docente explica que a soja tem um tempo de vida útil muito curto. “Quimicamente falando ela oxida muito rápido, ou seja, ela deve ser usado rapidamente se não, ela não tem mais validade. Por isso, o óleo de babaçu que possui envelhecimento devagar, vem como uma agregação para aumentar a expectativa de vida do óleo de soja e de forma natural, sem aditivos sintéticos”, explica Manoel Rodrigues.

O projeto babaçu na Uespi

O grupo de pesquisa em química da Uespi, realizou um estudo sobre produtos naturais e concluiu que o babaçu merecia um olhar diferenciado, devido a sua grande produção e por muitas famílias sobreviverem do babaçu. Uma vez agregado o valor econômico a esse produto, proporcionaria a melhoria da qualidade de vida de dezenas de pessoas que usam o babaçu como uma forma de subsistência.

De acordo com o professor, esse projeto contou com o apoio do governo de 6 milhões de reais na construção de laboratórios, e já dura cerca de 7 anos. Usufruem desses laboratórios alunos de mestrados e alunos de iniciação cientifica do curso de química, e também biologia.

“Esse projeto chegou junto com o projeto do Geratec. Ele iniciou com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que beneficiava projetos de recursos naturais que agregavam a esses estudos. Junto a ela  [financiadora] atribuímos um projeto que serviu para a construção dos nossos laboratórios”, afirma Manoel Rodrigues.

O financiamento vem do Governo do Estado e a outra parte de agências de fomento a pesquisa. “Hoje a Uespi nos dá o suporte, apesar de todas as dificuldades que existem no estado, mas ela nos dar o suporte para mantermos o funcionamento dos laboratórios. Como a compra de reagentes, manutenção de equipamentos, e consequentemente com pesquisadores para nos ajudar a desenvolver nossos projetos para melhorar a academia e melhorando esta, estaremos melhorando o Piauí”, diz Manoel Rodrigues.

Em função do conhecimento, diversos alunos de mestrado, acompanham a produção do óleo, e realizam atividades afins. O mestrando em química na Uespi, Maciel Lima, está entre essa demanda de alunos que fazem do projeto um processo de aproveitamento educacional em sua vida.

“O projeto contribuiu muito para minha vida acadêmica. Por ser um projeto de iniciação científica já é um preparo para o aluno poder entrar na pós-graduação. A iniciação em si contribuiu muito para isso. Eu gosto muito do projeto, mostras as perspectivas no que diz respeito a questão de busca de novas fontes de biocombustível”, afirma Maciel.  Para ele , o projeto foi muito significativo, pois dele foi feito o seu Trabalho de conclusão do curso (TCC), e a pesquisa do mestrado. O mestrando também já pensa em como utilizar outros resultados da pesquisa no doutorado.

O grande desafio da produção

A produção do óleo de babaçu no Piauí, ainda é realizada com a forma de indústria primária, ou seja, com a mão de obra humana.  Dessa forma o produto se torna escasso no mercado. O fruto é do tamanho de um limão grande, é quebrado e dividido em quartos para obter seis sementes finas, e é dessas sementes que se extrai o óleo.

De acordo com o professor, as quebradeiras do coco vivem de maneira difícil e a produção desse óleo é rara até que chegue em grandes laboratórios. Em muitos estados brasileiros há uma indústria melhor, mas os estados do Nordeste, apesar do produto existir em grande abundância, tem escassez de tecnologia para a produção da mercadoria.

“É um estudo adiantado, e o grande desafio é a obtenção do babaçu e sua indústria, mas existem pesquisas que buscam o melhoramento da indústria desse óleo. Como é feito ainda de forma primitiva, não temos dificuldades de obter esse produto de forma abundante”, afirma o docente.

Para o professor, a ideia é dar visibilidade ao produto, assim ele ao chegar no mercado barateava e ganharia um novo olhar.  A  fabricação do óleo viria com mais facilidade, e mais ágil, aumentando consequentemente a tecnologia envolvida na produção.

O caráter social na produção do óleo de babaçu

Em um grupo pequeno, as quebradeiras de coco babaçu são mulheres de comunidades extrativistas dos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí, dispersas pelas áreas de ocorrência da palmeira babaçu.

Segundo uma matéria publicada no site El País, no Nordeste as quebradeiras realizam o trabalho para a extração do óleo, ao longo de gerações. O estilo de vida das quebradeiras de coco sofreu muitas ameaças como o desmatamento, a expansão da agricultura e da pecuária. Além da pressão das operações de mineração em grande escala, mas mesmo assim não houve o acrescentamento de tecnologias na produção.

O projeto realizado pelo professor de química da Uespi, vem para agregar melhorias na condição de vida dessas pessoas, pensando em dar olhares a profissão difícil que essas mulheres levam.

“O caráter social do projeto é melhorar a vida da quebradora de coco que estão nos cocais. É fazer com que a tecnologia agregue valor ao produto. Ou seja, causando a valorização desse produto e da profissão”, diz Manoel Rodrigues.

O que o projeto agrega como planos para 2018

Além da agregação do óleo de babaçu ao de soja, as utilidades do babaçu como produto durável só tende a crescer, a exemplo disso, de acordo com o professor, a mercadoria também serve para a produção de álcool.

“Para 2018, buscamos pesquisas que busquem a linha do babaçu como álcool, o álcool do babaçu, e esse álcool é proveniente do petróleo. Sendo assim pode obter o biodiesel utilizando o álcool e o óleo do babaçu, fazendo uso completo do produto, e teríamos dois sub produtos dentro do babaçu”, afirma o professor.

Manoel diz ainda que se sente gratificado pelo trabalho. “Para mim fazer parte desse processo que vise melhorar a vida dos que estão na ponta, do setor primário, que é onde está a dificuldade, é muito gratificante. E ver também a formação da mão de obra, você ter um aluno da Uespi que passa por todo esse processo de graduação e faz o mestrado e estuda o projeto e volta pra academia como docente, isso e muito gratificante”, finaliza.

 

Autoria: Danúbia Rodrigues
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