A Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER)foi a primeira instituição pública no estado do Piauí a realizar cirurgia diafragmática por videotoracoscopia em recém-nascido para correção de hérnia diafragmática congênita, sendo a segunda a ser realizada dessa forma no estado. O procedimento teve duração de aproximadamente duas horas e foi realizado, na terça-feira (9), por equipe formada pelos cirurgiões pediátricos Ivo Viana, Bruno Falcão, Rogério Medeiros e o anestesista Diego.

O procedimento de alta complexidade foi feito em um recém-nascido de cinco dias que pesava aproximadamente 2,5 quilos.

A realização desse tipo de cirurgia passou a ser feita depois da aquisição de 17 torres de laparoscopia, por parte do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi). os equipamentos foram distribuídos para os hospitais da rede estadual, ficando uma das torres na MDER.

“O Governo do Piauí está ampliando as cirurgias por videotoracoscopia após aquisição dos equipamentos para todos os hospitais regionais e alguns estaduais. Possibilitando, assim, um procedimento menos invasivo, com menos tempo de internação, que utiliza tecnologia de ponta, trazendo um tratamento mais avançado à população piauiense”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto.

 

O procedimento

Segundo o médico cirurgião pediátrico Ivo Viana, a hérnia diafragmática congênita (HDC) é uma malformação no diafragma que ocorre quando o músculo que separa o tórax do abdome não fecha durante o desenvolvimento pré-natal. Dessa forma, ocorre o deslocamento dos órgãos localizados na cavidade abdominal, para a cavidade torácica. O espaço destinado ao desenvolvimento pulmonar torna-se limitado, resultando em pulmões subdesenvolvidos, condição conhecida como hipoplasia pulmonar.

 

 

“Com a compra das torres de laparoscopia já foram realizados alguns procedimentos e a equipe realizou a cirurgia de videotoracoscopia para correção de hérnia de diafragmática congênita em um recém-nascido. Foi feita a correção após todo o preparo pré-operatório, onde foi analisando todas as condições clínicas do paciente, que estava adequada e com a retaguarda de UTI, que é muito importante”, conta o cirurgião.

O especialista explica que sem o aparelho, as cirurgias eram realizadas com cortes muito grandes e abertos no qual o pós-operatório era bastante prolongado e com muitas complicações. “Com as torres de laparoscopia, a cirurgia foi possível fazer apenas com pequenos cortes, medindo três e cinco milímetros. O paciente está estável e em recuperação na UTI. As vantagens da cirurgia realizada dessa forma é primeiramente a resposta do paciente, o pós-operatório é mais tranquilo e rápido, a alta é mais precoce e acontece menos infecções e complicações que podem advir de uma cirurgia aberta, além da estética por não deixar cicatrizes grandes no paciente”, destaca o médico, que enfatiza que o procedimento cirúrgico realizado em uma criança de 2,5 quilos por videotoracoscopia possui uma complexidade bastante grande por conta do tamanho da criança e pelo espaço reduzido de realização do procedimento.

O médico Francisco Macedo, diretor da MDER, parabeniza a equipe médica e fala da importância do trabalho de todos os profissionais da maternidade no atendimento de gestantes e recém-nascidos. “A Maternidade Dona Evangelina Rosa é referência em tratamento de alto risco de gestantes e recém-nascidos, fazendo história, inovando e propiciando saúde e bem-estar ao povo do Piauí. Estamos trabalhando para melhorar cada dia mais o serviço da maternidade em prol da população piauiense, em especial as mulheres e bebês. Quero parabenizar a equipe que realizou esse procedimento de alta complexidade”, conclui o gestor.