O governador Wellington Dias fez um pronunciamento nesta terça-feira (1º) pela internet por meio do qual descartou a realização de lockdown nas próximas semanas e falou sobre o Plano Operacional da Estratégia de Vacinação contra a Covid-19 no Piauí. Participaram também da live a vice-governadora Regina Sousa, o secretário de Estado da Saúde (Sesapi), Florentino Neto, e o coordenador do Comitê de Operações Emergenciais (COE), José Noronha Vieira Júnior.

“Nos últimos dias, houve um crescimento de casos do coronavírus, o que chamamos de segunda onda, em vários países e estados do Brasil. Por isso, precisamos continuar com todos os cuidados. Mas não há nenhuma decisão tomada pelo Governo e pelo COE sobre lockdown no Piauí. A meta que estabelecemos é evitar exatamente chegar a esse extremo. Vamos seguir trabalhando para o cumprimento dos protocolos, o uso da máscara, higienização, distanciamento, evitar aglomeração. Esse é o caminho que nos trouxe até aqui”, frisou Wellington Dias.

O Piauí possui resultados que permitiram a situação de estabilização em relação ao novo coronavírus. O estado apresenta uma queda de 68% de casos confirmados e uma queda de 37% no número de óbitos pela Covid-19. Este é o menor número de óbitos das últimas 27 semanas, explicou o governador. “Fechamos a última semana com 43 óbitos. Estamos nessa tendência de queda de mortes, pois já chegamos a ter 36 óbitos em um dia. Esse resultado se deve ao tratamento precoce e à procura rápida pelo atendimento médico. Temos, atualmente, no Piauí, 264 de leitos clínicos ocupados (41%) e 385 livres (59%); e 161 leitos de UTI ocupados e 174 livres. O objetivo é evitar o colapso, integrando o setor público e o setor privado. Foi assim que alcançamos esses resultados”, apontou o gestor estadual.

Segundo Wellington Dias, a previsão inicialmente é de que o Piauí registrasse 36 mil óbitos até outubro. No, entanto chegou-se em dezembro com 2.634 mil óbitos. “Sabemos que é muito, mas bem menos do que foi projetado. Não podemos relaxar, vamos seguir cumprindo os protocolos”, enfatizou. O gestor ressaltou a ampliação do atendimento no interior do estado, o que contribuiu para os bons resultados atuais. “Garantimos atendimento nas oito regiões de saúde do estado, equipando os hospitais com salas de estabilização, leitos clínicos e UTI. Assim, chegamos a 32 cidades polos. Hoje, há mais de 50% de leitos clínicos livres no interior do estado”, disse.

Vacinas
Wellington Dias ressaltou as vacinas que receberam autorização para experimentos de larga escala no Brasil, desenvolvidas pelos laboratórios AstraZeneca/Oxford; Sinovac; Janssen; Pfizer/Biontech/Fosun Pharma; Jhonson e Jhonson; e Sputnik.

“As vacinas estão sendo testadas e acompanhadas pela Anvisa e nós estamos acompanhando também, com um comitê científico do Consórcio Nordeste. Temos a expectativa de conclusão da terceira etapa de testes já em dezembro. Estou bem animado para que a gente conclua os testes em este mês de, pelos menos, quatro vacinas e, em janeiro, tenhamos a autorização emergencial da Anvisa para começar o Plano Nacional de Imunização. O Fórum dos Governadores colocou a vacina como pauta prioritária”, relatou o governador.

Wellington Dias defendeu junto ao Ministério da Saúde que o Brasil tenha um sistema de controle nacional da vacinação, assim como o a base de dados nacional de testes para Covid-19 e uma política de agendamento da vacinação. “A ideia, primeiramente, é fazer um plano de controle dessa vacinação para que as pessoas possam tomar a primeira e segunda dose da mesma vacina. Esse controle é algo muito sério em dois pontos: o primeiro, científico, perante ao comitê estratégico nacional; o segundo, por meio de uma política de agendamento, na rede de Atenção Básica, com os agentes de saúde ou pela internet, o que vai permitir que o cidadão saiba exatamente quando e onde ele receberá a vacina. Isso garante uma organização e evitaremos uma situação de tumulto”, ressaltou o gestor piauiense.

A vice-governadora Regina Sousa reiterou que o Piauí não apresenta indicador para fechamento total das atividades econômicas. “As pessoas não precisam entrar em pânico com o final das eleições pois não tem nenhum indicador que aponte para fechamento das atividades novamente. Está tudo sob controle e estamos bem mais preparados do que estávamos em março. Mas para não fechar, é preciso que as pessoas colaborem. Com a perspectiva da vacina, poderemos ter uma tranquilidade e não tem por que não vacinar”, disse Regina.

Plano Operacional da Estratégia de Vacinação Contra a Covid-19 no Piauí

Durante a live, foi apresentado ainda o Plano Operacional da Estratégia de Vacinação Contra a Covid-19 no Piauí. A expectativa é de iniciar a operacionalização assim que a vacina for autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estudos robustos evidenciem e garantam a sua eficácia e segurança.

“O Piauí, mais uma vez, busca fazer sua parte para responder com celeridade as necessidades da população. Assim, apresentamos o Plano Operacional da Estratégia de Vacinação contra a Covid-19 no Piauí, que pretende ser iniciado ainda no primeiro semestre de 2021, a depender da liberação da vacina, que envolve o conhecimento da realidade da pandemia nos 224 municípios e tem o compromisso de imunizar toda a população piauiense de forma gratuita”, afirmou o secretário da Sesapi, Florentino Neto.

O plano já está sendo estudado há mais de 40 dias, em parceria com o Ministério da Saúde, pelos setores da Atenção Básica, Alta Complexidade em Saúde, Vigilância Sanitária e Comunicação. Segundo a estratégia, que ainda está em elaboração, os grupos prioritários na primeira fase de vacinação seriam os idosos acima de 80 anos, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde. A Sesapi, junto com os municípios, fará um trabalho de busca a este público.

“Esse é um plano preliminar que, obviamente, poder sofrer alterações conformes as vacinas sejam aprovadas e vai ser atualizado constantemente. O objetivo é contribuir para a imunidade da população, atuando de duas formas: prevenindo a infecção e como barreira para impedir a propagação dessa infecção com outras doenças. Inicialmente, vacinaremos as pessoas dos grupos prioritários, que são as mais expostas e com risco de desenvolver mais complicações. Logo após, iremos, progressivamente, ampliar essa cobertura vacinal no decorrer do ano à medida que novas doses forem sendo disponibilizadas”, esclareceu o coordenador do COE, José Noronha Vieira Júnior.