Dentro da programação do Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a saúde mental, o Hospital Infantil Lucídio Portella (HILP) realizou, na manhã desta sexta-feira (23), o I Café com Saúde, um momento de escuta, aprendizado e reflexão voltado aos colaboradores.
A ação contou com palestra de Alex Sampaio Nunes, servidor público federal, escritor, autor dos livros Ressuscito na Cidade Suicida e O Manipulador: Memórias de um Falso Poeta (obra premiada em 2010 pela Fundação Monsenhor Chaves).
O palestrante é formado em Direito e pós-graduado em prevenção e posvenção do suicídio. Ele abordou as dores emocionais que atravessam a vida das pessoas e impactam diretamente a saúde mental, destacando a rejeição como a principal delas. Também foram discutidas outras dores igualmente profundas, como traição, injustiça, abandono e humilhação, frequentemente vivenciadas tanto no âmbito pessoal quanto no ambiente de trabalho.

Um dos momentos que mais prendeu a atenção do público foi a abordagem sobre a Portaria MTE nº 1.419/2024, que altera a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e torna obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com foco direto na saúde mental dos trabalhadores. “A norma estabelece que os empregadores devem identificar, avaliar e adotar medidas de prevenção relacionadas a fatores como assédio moral e sexual, sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, liderança tóxica, estresse e exaustão emocional, ampliando o olhar sobre saúde e segurança no trabalho para além dos riscos físicos”, explica o especialista.
A exigibilidade plena da norma passa a valer a partir de 26 de maio de 2026, após período de implantação escalonada e caráter educativo. “De forma didática e acessível, Alex Sampaio explicou como esses riscos psicossociais impactam a saúde física e emocional dos trabalhadores e como a falta de informação pode silenciar sofrimentos cotidianos”, informa a assistente social Ana Clotildes, coordenadora do Grupo de Trabalho Humanizado.

Para a funcionária Leidiane Neres Melo, a palestra também provocou uma reflexão importante. “Será que é possível uma pessoa vivenciar situações de assédio, racismo, estresse e exaustão no ambiente de trabalho sem perceber que está adoecendo emocionalmente, simplesmente por não reconhecer essas práticas como formas de violência psicológica? A resposta passa, justamente, pela informação, pelo diálogo e pela construção de ambientes mais seguros e humanos”, conclui.
De acordo com a coordenadora de Enfermagem do HILP, Vanda Rodrigues, a iniciativa reafirma a valorização do bem-estar emocional e de uma rotina institucional saudável. “O Café com Saúde Emocional reforça o compromisso do Hospital Infantil com a promoção da saúde mental, o cuidado integral com seus colaboradores e a valorização de um ambiente de trabalho mais acolhedor, ético e consciente”.
A ação foi uma realização do Grupo de Trabalho Humanizado (GTH), Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), Núcleo de Educação Permanente (NEP), Serviço Social e Psicologia, fortalecendo o trabalho integrado em prol do bem-estar coletivo.