A Universidade Estadual do Piauí (Uespi) deu início, neste mês de fevereiro, à execução do Projeto AfirmaSUS, integrando o grupo de 124 instituições de ensino superior do Brasil selecionadas pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) para desenvolver ações vinculadas ao Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde.
O projeto faz parte da política nacional de reorientação da formação na área de Saúde, com foco em ações afirmativas, equidade, permanência estudantil e integração ensino–serviço–comunidade. O núcleo local do AfirmaSUS Uespi é composto por 15 estudantes, sendo 10 bolsistas e cinco voluntários, selecionados por edital público em dezembro de 2025, e reúne acadêmicos dos cursos de Psicologia, Medicina, Enfermagem, Educação Física, Fisioterapia, Ciências Sociais e Jornalismo.
No decorrer de 2026, o projeto vai realizar ações articuladas de ensino, pesquisa, extensão e cultura em cenários do Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase na Atenção Básica, no território e na Rede de Atenção Psicossocial, especialmente no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da zona Leste de Teresina.

Na Uespi, o AfirmaSUS é vinculado ao Laboratório de Práticas Interprofissionais e Colaborativas (Laico), espaço institucional dedicado ao desenvolvimento de metodologias interprofissionais, colaborativas e territorializadas e ao Grupo de Pesquisa Saúde, Integralidade e Educação Interprofissional, ambos coordenados pelo professor doutor, Leonardo Sales Lima. “Entendemos que, formar para o SUS exige enfrentar desigualdades, garantir permanência e produzir experiências formativas enraizadas na realidade dos serviços e das comunidades”, destaca o docente.
Grupo interprofissional e perfil dos estudantes
O núcleo local do AfirmaSUS Uespi é formando um grupo interprofissional pensado para lidar com problemas complexos de saúde que exigem trabalho em equipe, leitura ampliada do território e atuação em rede.
“O perfil do grupo expressa de forma concreta o caráter afirmativo do programa, com predominância de estudantes negros e negras, majoritariamente autodeclarados pretos e pardos, além de forte presença de estudantes LGBTQIAPN+. Muitos são estudantes de primeira geração no ensino superior e apresentam histórico de engajamento em ações comunitárias, movimentos estudantis e iniciativas vinculadas ao SUS”, explicar o coordenador do projeto.
A presença de diferentes cursos no projeto tem intencionalidade pedagógica. A psicologia contribui para o cuidado em saúde mental, o vínculo e a leitura do sofrimento; medicina e enfermagem fortalecem a clínica no território e a coordenação do cuidado; fisioterapia e educação física ampliam o cuidado corporal, a funcionalidade e a promoção da saúde em grupos; ciências sociais qualificam a leitura crítica das desigualdades, do território e das redes comunitárias; e o jornalismo atua na comunicação pública, na educação em saúde e na visibilização das experiências do SUS.
“Em 2026, o grupo encontra-se em processo de formação inicial e construção coletiva do plano de ação, que orientará atividades como educação em saúde na comunidade, planejamento participativo, ações no território, cuidado em saúde mental, desenvolvimento de projetos terapêuticos singulares e produção de materiais educativos e comunicacionais”, descreve o professor Leonardo Sales.
Segundo ele, ao articular ensino, extensão, pesquisa e comunicação, o Projeto AfirmaSUS, em diálogo com o Laico e o Grupo de Pesquisa Saúde, Integralidade e Educação Interprofissional, reafirma o compromisso da Uespi com um SUS diverso, territorializado e socialmente responsável, contribuindo para a formação ética, política e técnica de futuros profissionais da saúde. “Quando falamos em ação afirmativa, não estamos falando apenas de acesso à universidade. Estamos falando de condições reais de permanência, de reconhecimento das diferenças e de formação com acompanhamento, bolsa e sentido social. O AfirmaSUS cria esse espaço”, finaliza o coordenador.
