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Mulheres Guerreiras do Campo: associação fortalece o empoderamento e o protagonismo feminino na agricultura familiar

A associação reúne mais de 30 agricultoras que produzem variedades de produtos da agricultura familiar.

O trabalho árduo, de sol a sol, na colheita do caju é apenas um dos desafios diários enfrentados pelas mulheres que integram uma associação no município de Cocal de Telha. Elas se autointitulam “Mulheres Guerreiras”, nome que dá identidade ao grupo e traduz bem a determinação dessas agricultoras. Com criatividade e dedicação, transformam as riquezas naturais da comunidade em diversos alimentos, produzidos com foco na sustentabilidade e no respeito ao meio ambiente.

“Nosso carro-chefe é a cajuína, mas a gente produz, a partir do caju, doce cristalizado, doce em calda, rapadura de caju, torta, bolo, bombom, brigadeiro, vinho e licor. Agora também estamos aproveitando o pequi, com a produção de sorvete. A gente utiliza as riquezas da nossa comunidade, que é muito rica. Fazemos um trabalho sem agredir o meio ambiente, sem poluir e sem desmatar”, afirma a agricultora Francisca Costa, tesoureira da associação.

A cajuína é o carro-chefe da produção das Mulheres Guerreiras (Foto: Geirlys Silva / SAF)

A Associação Mulheres Guerreiras do Campo reúne mais de 30 agricultoras que transformaram conhecimento, tradição e esforço coletivo em oportunidade de trabalho e geração de renda. O grupo se destaca pela produção de cajuína e de diversos derivados do caju, consolidando-se como uma referência de empreendedorismo feminino na agricultura familiar do Piauí.

Francisca relata que a criação da associação também representou uma oportunidade de conquistar mais autonomia e independência. Para ela, participar do grupo significa, ainda, romper padrões que por muito tempo limitaram o papel das mulheres, especialmente na zona rural.

“Para mim, ser mulher significa muito. No meu tempo, as mulheres da zona rural, não sei na cidade, eram criadas para casar, cuidar da casa e ter filhos. Eu casei, tive um filho, mas não gostei de ficar só em casa. Aquela vida não me realizava. Então, para mim, ser mulher também é ter independência, poder fazer o que você quiser. Isso é muito bom, mostra que a mulher tem força”, disse.

Grupo também trabalha com produtos variados a partir do pequi (Foto: Geirlys Silva / SAF)

Com apoio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), a associação participa dos programas de Alimentação Saudável (PAS) e de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativas que compram produtos da agricultura familiar e os destinam a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Além disso, as integrantes mantêm plantios de caju e pequi, o que garante matéria-prima para a produção de cajuína e de outros derivados.

Francisca Costa também destaca que, neste domingo (8), quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a associação realizará uma comemoração especial, inclusive com futebol feminino, para arrecadar recursos.

“A gente aqui, para comemorar o Dia Internacional da Mulher, faz diferente. Nós vamos trabalhar. Vamos fazer um evento para arrecadar dinheiro e investir na produção de cajuína. Então, a gente não comemora com presente nem nada, comemora trabalhando. Vamos fazer uma festa com futebol feminino, porque também temos um time feminino. Nesse evento, a gente vende os nossos produtos para arrecadar dinheiro”, contou.

Mulheres trabalham com diversas receitas a partir do caju e do pequi (Foto: Geirlys Silva / SAF)

A vice-presidente da instituição, Nilmara Costa, que participa da associação há dez anos, demonstra confiança no futuro do trabalho desenvolvido pelo grupo.

“Conseguimos um projeto para fornecer alimentos para o governo, como o programa do PAA, em que distribuímos comida para pessoas carentes. A minha expectativa é que venham mais projetos para que possamos expandir e que a associação continue crescendo. O meu sonho é que, no futuro, a gente possa viver só daqui. Desejo que sejamos ainda mais conhecidas e que conquistemos muitas coisas”, afirmou.

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