O levantamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) mostra que as mulheres lideram três das quatro modalidades de bolsas de pesquisa concedidas pela instituição em 2026. Ao todo, pesquisadoras somam 524 bolsas, o que representa 54,6% do total concedido pela fundação neste ano, com destaque para a iniciação científica, o mestrado e a extensão.
O dado revela uma base majoritariamente feminina na ciência local e reforça uma tendência observada nas últimas décadas, a ampliação da participação das mulheres nos ambientes de pesquisa e inovação.

No Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PBIC), as mulheres concentram 57,2% das bolsas, com 200 pesquisadoras contempladas. A modalidade é considerada uma etapa importante para o desenvolvimento científico, por inserir estudantes no ambiente de pesquisa ainda durante a graduação.
A predominância feminina também aparece na pós-graduação. No mestrado, as mulheres representam 55,7% das bolsas, com 186 concessões. Já na extensão científica, voltada à aplicação do conhecimento em benefício da sociedade, as pesquisadoras somam 54,5% das bolsas, totalizando 97 beneficiárias.

Os números indicam que as mulheres têm ocupado de forma consistente os espaços de formação e produção científica no estado, ampliando sua participação em projetos de pesquisa e iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional. Para a coordenadora de bolsas e auxílios da Fapepi, professora Marly Lopes, o aumento da presença feminina na ciência está associado à ampliação de oportunidades por meio de editais e políticas públicas voltadas à pesquisa.

“É fundamental garantir mais oportunidades por meio de editais que possibilitem o ingresso e a participação das mulheres no desenvolvimento da pesquisa, além de mais incentivo financeiro. Aqui na Fapepi já temos muitos avanços, mas ainda precisamos ampliar essas ações para que possamos, de fato, reduzir a diferença na participação de homens e mulheres no âmbito da pesquisa”, destaca a professora.
Desafio no doutorado
Apesar do avanço nas etapas iniciais e intermediárias da formação acadêmica, o cenário ainda apresenta diferenças no nível mais alto da carreira científica. Nas bolsas de doutorado, os homens representam 58,6% dos bolsistas, enquanto as mulheres ocupam 41,4% das vagas. A diferença acompanha uma realidade observada em diversas regiões do país, em que a participação feminina diminui nos níveis mais avançados da carreira científica, influenciada por fatores estruturais, sociais e institucionais.

De forma geral, os dados indicam um crescimento da presença feminina na ciência no Piauí. Ao liderarem a maioria das bolsas concedidas pela Fapepi, as pesquisadoras ampliam sua participação na produção de conhecimento, na inovação e em iniciativas voltadas ao desenvolvimento do estado.
As bolsas concedidas pela fundação contribuem para ampliar o acesso das mulheres à carreira científica ao garantir financiamento em diferentes etapas da formação acadêmica, da iniciação científica ao doutorado, e ampliar oportunidades para novas pesquisadoras no estado.