A Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF) iniciou, nesta semana, os ciclos de imersão com as empresas e organizações da sociedade civil selecionadas para prestar assistência técnica no projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI). A atividade começou na quinta (26) e tem como objetivo alinhar metodologias e preparar as equipes que atuarão diretamente com agricultores familiares em diferentes regiões do estado.
De acordo com o superintendente de Projetos Territoriais para o Semiárido da SAF e coordenador do PSI, Jairo Chagas, a iniciativa marca uma etapa estratégica do projeto. “Essas empresas e organizações da sociedade civil vão apoiar as associações e seus respectivos beneficiários na elaboração de planos de adaptação produtiva, voltados para a resiliência climática das famílias, no intuito de produzir alimentos saudáveis e garantir a segurança e geração de renda no campo”, destacou.

O primeiro ciclo de imersão ocorre no município de Amarante e reúne equipes que irão atuar nos territórios Entre Rios, Vale do Sambito e Vale do Guaribas. Durante seis dias, os participantes discutem conceitos de assistência técnica, metodologias de abordagem e os instrumentos necessários para a execução dos serviços, além de contribuir para a consolidação de um manual que orientará as ações do projeto.
Segundo Jairo Chagas, o documento será fundamental para padronizar a atuação da SAF. “A ideia é ter uma metodologia única de assistência técnica que permita comparação, monitoramento e avaliação desses serviços no campo”, afirmou. O segundo ciclo está previsto para ocorrer entre os dias 6 e 12 de abril, em Oeiras, contemplando outros quatro territórios de desenvolvimento.

Ao todo, o projeto prevê a elaboração de planos de adaptação produtiva para 217 associações, alcançando mais de 8 mil famílias em sete territórios piauienses. As ações envolvem desde a produção de alimentos e criação de animais adaptados ao semiárido até práticas agroecológicas, conservação ambiental e estratégias de comercialização.
O investimento em assistência técnica no âmbito do PSI ultrapassa R$ 66 milhões, com execução prevista para três anos. Para o superintendente, o diferencial está na valorização do conhecimento local. “Não é só a empresa de assistência técnica ou o Estado que detêm o conhecimento sobre a convivência com o semiárido, mas também o saber das famílias que já vivem nessa realidade e têm encontrado soluções para produzir e ter qualidade de vida”, ressaltou.

Os planos de adaptação produtiva também incluem melhorias em infraestrutura, como segurança hídrica e beneficiamento da produção, sempre com foco na sustentabilidade. “O objetivo final é garantir que essas famílias tenham condições de produzir com segurança e regularidade, assegurando renda no campo”, concluiu Jairo Chagas.
Piauí Sustentável e Inclusivo
O projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI) é executado pelo Governo do Piauí por meio de operação de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). O objetivo é garantir a melhoria de renda e da qualidade de vida da população rural, por meio da segurança alimentar e nutricional, do acesso regular à água, do crescimento produtivo ambientalmente sustentável e resiliência às mudanças climáticas no semiárido piauiense.
O PSI abrange os territórios de desenvolvimento da bacia hidrográfica dos rios Piauí e Canindé, totalizando 138 municípios nos territórios Entre Rios, Vale do Sambito, Vale dos Rios Piauí e Itaueira, Vale do Canindé, Vale do Rio Guaribas, Chapada Vale do Itaim, Serra da Capivara. Impactando cerca de 1,2 milhões de habitantes, dos quais 65% são pobres ou extremamente pobres e alta concentração de municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).