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III Festival de Batuques de Quilombos do Piauí celebra ancestralidade, resistência e cultura viva no Quilombo Salinas

Evento celebra a força e a tradição das comunidades quilombolas, com apoio da Secretaria de Cultura, por meio da PNAB

O Quilombo Salinas, localizado em Campinas do Piauí, será palco, nos dias 24 e 25 de outubro de 2025, do III Festival de Batuques de Quilombos do Piauí, uma celebração da memória, identidade e força das comunidades quilombolas do Estado.

O evento tem patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí (Secult-PI), por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), e é realizado pela Associação Quilombola de Salinas.

Em sua terceira edição, o Festival reafirma o compromisso com a salvaguarda do patrimônio material e imaterial dos quilombos piauienses, fortalecendo o protagonismo das comunidades e valorizando suas manifestações culturais, saberes e tradições.

Desde sua primeira edição, em 2023, o Festival vem abordando temas que conectam ancestralidade e contemporaneidade. Na estreia, o tema foi “Batuques – Vozes Ancestrais”. No ano seguinte, o evento apresentou “Batuques – Reisados Quilombolas”. Este ano, o tema “Batuques – Eu sou Samba de Cumbuca” homenageia o Grupo de Tradições Culturais Samba de Cumbuca, manifestação centenária da Comunidade Quilombola Salinas, reconhecida pelo Iphan e condecorada, em 2011, com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural Brasileiro. Em 2021, o grupo foi reconhecido pelo Governo do Estado como Patrimônio Vivo do Piauí.

“As comunidades quilombolas são guardiãs de uma parte essencial da nossa identidade cultural. Apoiar eventos, como o Festival de Batuques, é garantir que essas vozes ancestrais continuem ecoando, ensinando e inspirando. Cada manifestação cultural, cada toque de tambor, cada canto quilombola carrega a história e a resistência de um povo que constrói o Piauí todos os dias. Investir em políticas públicas de cultura é investir em cidadania, pertencimento e futuro”, afirma o secretário de Estado da Cultura, Rodrigo Amorim.

A programação do Festival inclui uma série de vivências culturais, gastronômicas e artísticas, como a visita ao Museu Quilombola Dona Augusta, o primeiro museu quilombola do Piauí, a exibição do documentário “Contando Minha História”, que narra as origens do Quilombo Salinas (1837–1843), e a mostra gastronômica “Cozinha de Quilombo – Dona Cumbuca”, certificada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Também estão previstas rodas de saberes e apresentações culturais, mesas de debate com lideranças quilombolas, pesquisadores, gestores públicos e representantes de outras instituições públicas abordando temas como batuques, cosmopercepções africanas, educação escolar quilombola, titulação de territórios tradicionais e políticas públicas de salvaguarda.

“O Festival de Batuques é uma celebração da nossa história e da nossa força coletiva. Por meio dele, mostramos que cultura não é gasto, é investimento. A PNAB tem possibilitado que comunidades tradicionais como a nossa realizem projetos, oficinas e festivais que fortalecem a economia criativa e a identidade cultural do Piauí. Que venham mais oportunidades para que nossas tradições sejam cada vez mais valorizadas e reconhecidas em todo o Brasil”, destaca Marcos Vinícius Ferreira, liderança quilombola e coordenador cultural da Comunidade Salinas.

Programação

 24 de outubro (sexta-feira)

9h – Chegança no Quilombo: Recepção das caravanas e comunidades com acolhida tradicional, cantos e gestos de bênção.

11h – Exibição do documentário “Contando Minha História”: Narrativas quilombolas que registram memórias, mestres e experiências de resistência.

12h30 – Almoço coletivo: Partilha de comidas tradicionais e convivência entre as comunidades.

14h – Roda de Apresentação e Interação de Batuques: Encontro de grupos com trocas musicais, ritmos e cantos.

15h – Apresentação dos Resultados da Pesquisa “Batuques de Quilombos do Piauí”: Relatório da Associação CECOQ com Maria Rosalina dos Santos.

16h – Oficina com Jovens: Planos Nacionais de Cultura e Educação: Com Ramon Paixão e Tamires Abreu (SEDUC).

17h – Visita ao Museu Dona Cumbuca: Vivência guiada sobre memórias e objetos da ancestralidade quilombola.

19h30 – Roda de Abertura: Abertura simbólica com lideranças, mestres e representantes institucionais.

20h – Noite Cultural: Batuques quilombolas, cantos e danças da ancestralidade viva.

22h – Show com banda local: Encerramento do primeiro dia com samba e ritmos regionais.

 

25 de outubro (sábado)

09h – Roda Saberes Confluentes: Cirandas e bênçãos dos tambores com Axé.

09h20 – Tradições Culturais e Cosmopercepções Africanas: Com Pai Naldo e Lucas Ferreira (Àṣẹ Ọ̀ṣumàrè).

10h – O que é a COP30: Objetivos e Importância dos Quilombos nesses Espaços: Com Jhonny Martins de Jesus (CONAQ) e Negra Anastácia (CONAQ).

10h50 – Políticas Culturais do MinC: Estratégias para Acesso das Comunidades Quilombolas: Com Sebastião José Soares e Patrícia Mendes (MinC).

12h30 – Almoço: Cozinha Dona Cumbuca.

14h – Desafios e Oportunidades da Educação Escolar Quilombola no Brasil: Com representantes da CONAQ, SEDUC, UFPI e secretarias municipais.

16h – Povos e Comunidades Tradicionais: Conquistas e Desafios no Acesso a Políticas Públicas: Com Assunção Aguiar (SASC) e Dr. Miranda Bispo (Governo do PI).

16h50 – Avaliação e Encaminhamentos: Coordenação Estadual de Quilombos do Piauí.

18h30 – Jantar: Cozinha Dona Cumbuca.

19h – Noite Cultural: Exibição do documentário “Inventário Nacional de Referências Culturais – Samba de Cumbuca e Reisados Quilombolas” (IPHAN) e apresentações artísticas.

22h – Show Musical: Encerramento festivo reafirmando a força e alegria da cultura quilombola piauiense.

 

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