O CAMPO Arte Contemporânea é um espaço cultural independente dedicado à criação, pesquisa e troca entre artistas e a comunidade. Ao longo de 10 anos, tem promovido atividades artísticas, sempre com acesso aberto ao público e diálogo direto com o território onde está inserido. Em celebração à década de existência, está sendo realizada mais uma edição do Mormaço – a primeira de 2026, evento artístico que reúne apresentações, encontros, mutirões, oficinas e processos de criação compartilhados com o público. O espaço está localizado na rua Agnelo Pereira da Silva, 3497, Bairro São João, em Teresina.
O Mormaço acontece em diferentes dias do mês de janeiro e convida o público a vivenciar a arte de forma próxima, participativa e diversa. O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e com apoio do Ministério da Cultura – Governo Federal.
Nesta primeira edição de 2026, o evento apresenta uma agenda que mistura artes visuais, performances, ações coletivas e residências artísticas, valorizando a troca de experiências, o trabalho coletivo e o acesso democrático à cultura. A programação teve início nesta quarta-feira (21), com a performance “Um cadáver que arrisca se levantar”, de Marcelo Evelin, com a Demolition Incorporada. A obra evoca estados de resistência, insistência e reinvenção do corpo em cena, marcando o tom político e sensível da edição.

O cronograma segue nesta quinta-feira, 22 de janeiro, às 19h, com a encenação de “88 Kg”, de Bruno Moreno. O trabalho investiga peso, matéria e presença a partir do corpo como campo de tensão e memória. Em cena, Bruno constrói uma experiência que convoca o público a refletir sobre limites físicos e simbólicos, explorando o corpo como território de fricção entre esforço, resistência e vulnerabilidade. A apresentação se insere na proposta do Mormaço de ativar experiências que não se encerram no espetáculo, mas se desdobram em afetos e reflexões compartilhadas.
Na sexta-feira, 23 de janeiro, também às 19h, é a vez de Fernanda Silva apresentar “Veado de quatro”, apresentação que atravessa questões de identidade, desejo e normatividade, acionando o corpo como linguagem política e poética.
O sábado, 24 de janeiro, começa cedo, das 8h às 11h, com o ManaManchão: mutirão verde, ação coletiva conduzida por João Marcos, Gui de Areia e Regina Veloso, do Atelier Ateliê, em parceria com a Revoada. À noite, às 19h, a programação retorna ao campo performático com “Favor Divino”, de Andreia Pires e Marcelo Evelin, trabalho que dialoga com espiritualidade, esforço coletivo e entrega.
Paralelamente, até o dia 29 de janeiro, acontece a Residência Macacal, com Jamires Martins e Maurício Pokemon, do Estúdio Debaixo, aprofundando processos de criação e convivência no CAMPO.
Programação da próxima semana
A celebração dos 10 anos do CAMPO segue intensa na semana seguinte, com ações que misturam arte cênica, publicação independente, audiovisual e formação.
Na sexta-feira, 30 de janeiro, a partir das 19h, acontece o Desfile Performático forgive Gui – 10 anos Campo edition, acompanhado do lançamento do Zine Forgive Gui, pelo Atelier Ateliê. Em seguida, às 20h, o público é convidado para Uma noite de Skate, com mostra de vídeos e roda de conversa, ampliando o diálogo entre arte, cultura urbana e memória coletiva.
No sábado, 31 de janeiro, das 8h às 11h, o ManaManchão: mutirão verde retorna, reforçando o cuidado com o espaço e o entorno. À tarde, das 14h às 18h, acontece a Oficina Lamento aos Pixels, com Xuxu Kamei, e, às 19h, o lançamento do Fanzine Macacal, de Jamires Martins e Maurício Pokemon, encerrando a programação com mais um gesto de partilha e circulação de ideias.
O Mormaço de Janeiro reafirma o CAMPO como um lugar onde práticas e conceitos são lançados ao ar, em um malabarismo material e subjetivo que aposta no paradoxo: ao desaparecer das formas fixas, talvez seja possível tatear melhor o mundo que se inventa coletivamente.