O Hospital Infantil Lucídio Portella (HILP) realizou, nesta sexta-feira (20), sua primeira cirurgia endoscópica endonasal para ressecção de nasoangiofibroma juvenil. O procedimento, considerado de alta complexidade, foi feito em um adolescente de 12 anos, natural de Campo Grande do Piauí, e marca um avanço na assistência especializada pelo SUS no estado.
Até então, esse tipo de cirurgia pelo SUS era realizado exclusivamente pela equipe do Hospital Getúlio Vargas (HGV).
“Com o novo marco, o HILP passa a integrar a seleta lista de hospitais brasileiros com equipe e estrutura tecnológica habilitadas para realizar este procedimento, tornando-se referência para pacientes pediátricos com esse diagnóstico no Piauí”, informa a diretora-geral, Dra. Leiva Moura.
A cirurgia teve duração aproximada de três horas e foi realizada de forma totalmente endoscópica endonasal.
“Esta técnica é minimamente invasiva, sem cortes externos. O tumor, de grande porte e bastante aderido às paredes da rinofaringe, foi removido com sucesso e sem intercorrências. A previsão de alta hospitalar é de quatro a cinco dias e a recuperação plena deve ocorrer nas próximas semanas, sem sequelas estéticas ou funcionais”, explica o Dr. Thiago Luís, cirurgião otorrinolaringologista e chefe da equipe.

Segundo o médico, o nasoangiofibroma juvenil é um tumor vascular raro que acomete principalmente adolescentes do sexo masculino.
“Trata-se de uma patologia desafiadora pelo risco de sangramento e pela localização anatômica. A técnica endoscópica permite maior precisão, menor agressão cirúrgica e recuperação mais rápida.”
Antes da cirurgia, o paciente passou por embolização prévia no setor de Hemodinâmica do HGV, etapa fundamental para reduzir o risco de sangramento durante a ressecção tumoral.
Além do Dr. Thiago Luís, a equipe foi composta pelos otorrinolaringologistas Laís Gomes e Antônio Pedro; pelos anestesiologistas Stenio Farias e Matheus Castelo Branco; e por Michell Pitombeira, residente do 3º ano de Otorrinolaringologia da Uespi, além da equipe de enfermagem do HILP.
Para a agricultora Fabileide Moura, mãe do adolescente, o período foi marcado por medo, fé e confiança na equipe médica. “Quando o diagnóstico foi fechado, o doutor Thiago veio conversar comigo e explicou que era um nódulo grande, mas benigno, como seria a cirurgia e que precisaria fazer uma embolização antes para ser mais seguro. Ele detalhou todo o passo a passo. Isso me deixou mais tranquila”, disse.
Apesar da segurança transmitida pela equipe, o receio foi inevitável. “A gente sente medo quando sabe que alguém que ama vai passar por uma cirurgia. E eu tive ainda mais medo quando soube que era um procedimento de alto risco”, declarou.
Ela também destacou o acolhimento recebido durante os quase 20 dias de internação e exames até a cirurgia. “Os profissionais são muito acolhedores. Desde o início explicaram tudo com clareza. Isso trouxe muita segurança para a gente”, afirmou.

Sobre a importância do SUS, Fabileide foi enfática. “Eu procurei a rede privada, mas o valor era muito alto para a nossa realidade. Fazer pelo SUS foi uma oportunidade muito boa. O SUS foi fundamental para que meu filho tivesse acesso a esse procedimento”, declarou.
Para o secretário da Saúde, Dirceu Campêlo, com a realização do procedimento no HILP, o Piauí amplia a oferta de tratamento especializado pelo SUS e fortalece a capacidade resolutiva da rede pública estadual.
“O Hospital Infantil Lucídio Portella consolida, assim, seu papel como centro de excelência em assistência pediátrica e passa a ser referência estadual no tratamento cirúrgico do nasoangiofibroma juvenil — uma patologia rara e potencialmente agressiva, que exige equipe qualificada, estrutura adequada e alta precisão técnica. O marco representa não apenas um avanço médico, mas um passo importante na consolidação da inovação e da autonomia assistencial na saúde pública do estado”, afirmou o secretário.