O diretor-geral do Interpi, Rodrigo Cavalcante, comentou a situação e disse que a função do órgão é garantir que todos os moradores tenham seus direitos respeitados. No entanto, a resolução do conflito é condição necessária e indispensável para o prosseguimento do processo de regulação fundiária. “A mediação e o diálogo são essenciais para encontrar uma solução que atenda aos interesses da comunidade e do grupo”, afirmou.
A titulação coletiva é um procedimento específico para territórios de povos e comunidades tradicionais em terras públicas estaduais e confere um título inalienável, ou seja, que não pode ser vendido ou transferido, garantindo a preservação das terras e a continuidade do modo de vida tradicional da comunidade. No Piauí, já são 25 territórios tradicionais regularizados e este número deverá dobrar ainda este ano, segundo Rodrigo Cavalcante.

“Queremos uma solução que seja justa para todos. Nossa comunidade precisa de clareza e segurança sobre nossas terras, para que possamos viver e trabalhar em paz. A gente acha que a titulação individual nos permitirá maior autonomia sobre nossas propriedades. Estamos dispostos a dialogar, mas é importante que todas as famílias sejam ouvidas”, disse Daisa Pereira, presidente do Assentamento Laranjeiras.

A mediação continuará até que se encontre uma solução que atenda aos interesses de todos os moradores da comunidade. “A decisão dos moradores é soberana. Não se trata de negar a identidade indígena, mas apenas de se respeitar a intenção da comunidade. O Interpi fará a titulação ainda este ano de acordo com a decisão da comunidade em ato formal, legal, participativo e público”, finaliza Cavalcante.