Notícias

Libras transforma vidas e fortalece identidade da comunidade surda no Piauí

No Piauí, esse processo de inclusão passa pelo Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), referência no ensino de Libras.

Nesta sexta-feira, dia 24 de abril, o Brasil comemora 24 anos do reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão (Lei nº. 10.436/2002). Mais do que uma data, o momento reforça a importância da língua como instrumento de cidadania, inclusão e pertencimento para a comunidade surda.

No Piauí, esse processo de inclusão passa diretamente pelo Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), que há 20 anos atua como referência no ensino de Libras. Localizado no bairro Piçarra, zona sul de Teresina, o centro atende atualmente cerca de 250 alunos da rede pública de ensino e também oferece cursos abertos à comunidade.

Foto: Ascom Seduc

“Eu nasci ouvinte e perdi a audição aos 4 anos por causa da meningite. Foi através do aprendizado da Língua de Sinais que passei a construir e valorizar minha identidade de pessoa surda”, contou Françoan Rodrigues, de 32 anos, ex-aluno da rede estadual e professor no CAS, em Teresina. Para ele, a oficialização da Libras representou uma virada. “Antes, a gente enfrentava muitas barreiras. Quando a língua foi reconhecida, passamos a ser vistos com mais respeito. Isso fortaleceu nossa identidade e mostrou para a sociedade que temos uma língua, uma cultura e o direito de ocupar qualquer espaço”, destacou.

Foto: Ascom Seduc

Além do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para estudantes surdos, que frequentam o espaço no contraturno da escola regular, o CAS também forma professores, intérpretes e cidadãos interessados em aprender Libras. A proposta é ampliar a comunicação entre surdos e ouvintes, tornando os diferentes espaços mais acessíveis.

A professora Ana Carolina Bonfim, que também é ex-aluna da rede estadual, destaca o impacto desse processo dentro da sala de aula. Hoje atuando no AEE e no CAS, ela, que perdeu a audição por sequelas da rubéola, vê na própria trajetória um exemplo para os estudantes. “Muitas crianças se reconhecem em mim. Elas percebem que também podem crescer, estudar e conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Isso vem da valorização da identidade surda e do acesso à língua”, afirmou.

Foto: Ascom Seduc

Atividades reforçam a importância do aprendizado da Língua de Sinais

Em alusão ao aniversário da Lei que regulamentou a Libras como a língua natural da comunidade surda brasileira e ao Dia Nacional da Educação de Surdos, celebrado nesta quinta-feira (23), a Seduc realizou um ciclo de palestras no CAS. A programação, que ocorre nos dias 22 e 23 de abril, conta com professores e profissionais do próprio CAS, que compartilham experiências e discutem o papel da Libras na educação, na saúde e na inclusão social.

As atividades também reforçam como o Centro surgiu a partir da própria legislação que, ao reconhecer a língua, impulsionou políticas públicas voltadas à comunidade surda.

O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, reforça que a Libras vai muito além da comunicação e que a Língua Brasileira de Sinais é fundamental para garantir autonomia, acesso ao conhecimento e participação social. “No Piauí, investimos na educação inclusiva nas escolas da rede e também com espaços como o CAS, que formam não apenas estudantes, mas uma sociedade mais preparada para acolher e respeitar as diferenças. Incluir é garantir que todos tenham voz, identidade e oportunidades”, destacou.

Foto: Ascom Seduc

O CAS oferece uma série de formações, promovendo a Educação Bilíngue por meio da Formação Continuada com o Curso de Iniciação à Língua Brasileira de Sinais (Libras), Curso de Libras (Intermediário), Curso Prático de Libras, Curso de Formação Tradutor Intérprete de Libras (TILS), Curso de Formação de Instrutores para Surdos (FIS), Curso de Libras Avançado para a Comunidade Geral, Curso de Formação de Professores Bilíngues em Português, Formação Continuada em Atendimento Educacional Especializado (para professores das salas multifuncionais); produção de materiais pedagógicos acessíveis além da formação de tradutores e intérpretes, professores bilíngues e preparação para o Enem e vestibulares. Tudo de forma gratuita, ampliando o acesso e criando oportunidades reais de inclusão.

Mesmo sendo a segunda língua oficial do país, a Libras ainda é desconhecida por grande parte da população. Por isso, iniciativas como as do CAS seguem sendo essenciais para ampliar o conhecimento, reduzir barreiras e transformar realidades, mostrando que aprender Libras também é um gesto de inclusão.

Compartilhar:

Mais notícias