No semiárido piauiense, na comunidade Nazaré, zona rural de Lagoa de São Francisco, o primeiro Museu Indígena do Piauí tem se consolidado como um importante espaço de preservação da memória e valorização da cultura dos povos originários. O Museu dos Povos Indígenas do Piauí Anízia Maria (MUPI) é gerenciado por mulheres do povo Tabajara-Tapuio de Itamaraty, que estão à frente de um trabalho de resgate identitário e fortalecimento cultural na região.
Criado a partir de uma iniciativa comunitária em 2016, o espaço nasceu em uma estrutura simples, reunindo objetos doados pela própria comunidade. Com o passar dos anos, o local cresceu e, em 2023, ganhou uma sede mais ampla com apoio do Sistema Estadual de Incentivo à Cultura (SIEC), ampliando sua atuação e alcance, chegando a atrair visitantes de diversas regiões do Brasil e até do exterior. Em 2025, mais de três mil pessoas passaram pelo local, evidenciando o interesse crescente pela história e pelos saberes dos povos originários do Piauí.

Mais do que um ambiente expositivo, o MUPI se apresenta como um espaço vivo, onde a cultura indígena é vivenciada no cotidiano. O local reúne objetos históricos, registros fotográficos, uma linha do tempo sobre os povos indígenas do estado, além de espaços que promovem oficinas, vivências e troca de saberes.
Para Elayne Tabajara, coordenadora e guia do museu, esse protagonismo também representa um avanço na forma de contar a própria história. “Ter mulheres à frente dessa grande e importante iniciativa é muito significativo para nós. A forma de organização e de trabalhar o coletivo é um diferencial. A gente se sente orgulhosa de estar dando visibilidade à cultura e à história de povos que por muito tempo foram silenciados no Piauí”, destaca.

A iniciativa vai além da preservação de objetos e se conecta diretamente com a vida da comunidade. O local reúne ambientes como ocas temáticas, áreas de cultivo, espaços de oficinas e práticas culturais que envolvem desde os mais velhos até as novas gerações, fortalecendo a identidade indígena no território.
A comunidade Nazaré, onde o museu está inserido, reúne cerca de 450 indígenas dos povos Tabajara e Tapuio-Itamaraty, e se destaca pela forte organização comunitária e pelo trabalho contínuo de valorização cultural desenvolvido pelos próprios moradores.

A presença feminina também tem impacto direto na continuidade desse trabalho, especialmente na formação das novas gerações dentro da comunidade. “As mulheres influenciam diretamente na preservação da nossa cultura. Somos um núcleo de mulheres à frente, mas temos muitas outras atuando em diferentes espaços. Nosso compromisso é garantir que essa história continue viva, sendo transmitida pelos mais velhos e fortalecida pelos mais jovens”, explica Elayne Tabajara.
“O Museu dos Povos Indígenas do Piauí Anízia Maria representa um marco fundamental para a preservação da nossa diversidade cultural e para o reconhecimento da história dos povos originários do estado. É uma iniciativa que nasce da própria comunidade, com protagonismo feminino, e que demonstra a força da cultura viva, construída no dia a dia. Como gestão pública, temos o compromisso de apoiar e fortalecer ações como essa, que promovem identidade, memória e pertencimento. O MUPI é motivo de orgulho para o Piauí e um exemplo de como a cultura transforma realidades e conecta gerações” pontua o secretário da Cultura, Rodrigo Amorim.
