Equipes da Companhia Porto Piauí e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) realizaram, durante toda esta semana, o levantamento da infraestrutura federal construída nas margens do Rio Parnaíba. Trata-se de uma etapa importante nos estudos para implantação da Hidrovia do Rio Parnaíba.
O trabalho foi realizado pela comissão de inventariança nomeada pela Portaria nº 506 de 3 de fevereiro de 2026, composta por membros da Diretoria de Infraestrutura Aquaviária do DNIT e pela equipe da Companhia Porto Piauí, responsável pelos estudos de implantação da Hidrovia do Rio Parnaíba. A comissão vistoriou a situação dos bens de infraestrutura implantados pelo Governo Federal ao longo do Médio Parnaíba nas cidades de Guadalupe, Amarante, Floriano e Teresina. Os ativos terão sua gestão transferida para a Porto Piauí.

Serão realizadas mais duas inspeções para os trechos do Alto Parnaíba (de Guadalupe até Santa Filomena) e Baixo Parnaíba (Teresina até Luís Correia), completando os 1176 quilômetrosda via fluvial.
O levantamento é uma das atividades do Convênio de Delegação nº 01/2025, assinado entre o Governo Federal e o Governo do Piauí em abril de 2025 para delegação da via navegável ao Estado do Piauí e implantação da Hidrovia do Parnaíba, sob responsabilidade da Companhia Porto Piauí.

Durante o levantamento, a comissão observou que o rio já é cotidianamente navegado por embarcações de pesca, de turismo e de transporte de passageiros, cargas e veículos, como nas rampas de acosta em Amarante. Este trânsito de embarcações acontece tanto entre as margens do Piauí e o Maranhão como em trechos entre cidades vizinhas, mas deve ser ampliado para toda a extensão após a revitalização do rio.
Hidrovia do Rio Parnaíba
A Hidrovia será o elo logístico direto do Porto com os produtores de grãos do Sul do Piauí e do Matopiba (a região de divisa dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), reduzindo os custos do transporte e a emissão de gases poluentes. O projeto prevê ainda a criação de Estações de Transbordo de Carga em algumas cidades no curso do rio e o uso da via para transporte de outros tipos de carga tanto da nascente à foz quanto no sentido contrário.

Para tornar o projeto possível, será preciso revitalizar o rio Parnaíba com diversas ações, como replantio da mata nativa das margens, recuperação de nascentes, dragagens corretivas e programas de educação ambiental. Somente o rio recuperado permitirá a navegação em toda sua extensão.
Os trabalhos de revitalização do Rio Parnaíba estão previstos para começar neste ano de 2026. O projeto será realizado em fases e as operações e o volume de produtos exportados pela hidrovia devem crescer de acordo com a ampliação da capacidade.

Atualmente, a produção de grãos de fazendas localizadas em municípios como Uruçuí, Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves viaja de caminhão até outros portos, como o Porto do Itaqui (MA) e o Porto de Santos (SP), com altos custos rodoviários.