Cerca de 120 técnicos de Assistência Técnica Sistemática (ATS) participam, até o dia 12 de abril, de uma imersão metodológica no município de Oeiras, como etapa inicial de execução do Programa Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI). A ação, coordenada pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), tem como objetivo melhorar a convivência com o semiárido e promover a adaptação às mudanças climáticas, envolvendo atividades teóricas e práticas em quatro comunidades rurais e atendendo diretamente 217 famílias distribuídas em 16 associações.
Durante a atividade, os profissionais realizam o levantamento do perfil das comunidades por meio de entrevistas, oficinas participativas e construção de diagnósticos locais. Esse processo é fundamental para subsidiar a elaboração dos Planos de Adaptação Produtiva, que irão orientar a execução de projetos sustentáveis e o acompanhamento técnico contínuo das famílias beneficiárias.

A expectativa nas comunidades tem sido marcada pelo interesse em aprender e melhorar a produção local. Na comunidade Nova Terra, a moradora Daiane Sepúlveda destaca o impacto da chegada do projeto. “A gente espera conhecimento, aprender coisas novas para poder cultivar e melhorar o assentamento. Aqui a gente tem produção de caju, manga, coco e hortas, mas ainda precisa de mais incentivo. Estou me sentindo acolhida, com o coração cheio de alegria”, afirmou.
Já no assentamento Barriguda, a agricultora familiar Maria Alves também demonstra otimismo com a iniciativa. “A gente está na expectativa de aprender e também compartilhar conhecimento. Eu trabalho com criação de galinha e acredito que, com o PSI, vou melhorar minha produção e agregar mais valor. É uma sensação de dignidade, de estar sendo vista como agricultora familiar”.

A programação da imersão combina momentos formativos em auditório com atividades práticas nas comunidades de Oeiras, além de ações em São João da Varjota e Colônia do Piauí. Entre as atividades desenvolvidas estão entrevistas de memória social, visitas às unidades produtivas, oficinas socioprodutivas e validação das informações coletadas junto às famílias.
De acordo com o diretor de Projetos dos Territórios do Semiárido, Francisco Ribeiro, a imersão funciona como uma experiência piloto que será replicada em todo o estado. “Os técnicos estão trabalhando de forma experimental em quatro comunidades, construindo o perfil da realidade local. Após essa etapa, eles vão realizar esse mesmo trabalho nas associações atendidas pelo PSI, acompanhando diretamente cerca de 90 famílias em cada uma delas”, explicou.

A engenheira agrônoma da SAF, Gilmara Faria, reforça que o processo fortalece a integração entre técnicos e comunidades desde o início. “É uma atividade que envolve aprendizagem, capacitação e integração, permitindo que os técnicos conheçam de perto a realidade das famílias e construam soluções junto com elas”, afirmou.
Segundo o superintendente de Projetos Territoriais do Semiárido da SAF, Jairo Chagas Júnior, esse primeiro ciclo de imersão está focado na abordagem do agricultor familiar e na construção do perfil das famílias beneficiárias. “O objetivo é garantir um padrão de atendimento técnico e preparar as equipes para as próximas etapas. Nos próximos ciclos, vamos avançar para a elaboração dos planos de adaptação produtiva, com foco na agroecologia e no manejo sustentável dos recursos naturais”, destacou.
Com o encerramento da imersão, a expectativa é que as equipes iniciem imediatamente a atuação nas comunidades atendidas pelo PSI, dando continuidade ao diagnóstico e avançando para a elaboração e implementação dos projetos produtivos, em diálogo direto com as famílias e respeitando as especificidades de cada território.