Mesmo em pleno período chuvoso, o Piauí segue com um cenário que acende o alerta: todo o território estadual permanece enquadrado em algum nível de seca. É o que revela o boletim mais recente do Monitor de Secas, divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), referente ao mês de março.
O levantamento mostra uma leve melhora na intensidade dos quadros mais críticos, com redução no número de municípios em seca grave. Por outro lado, houve aumento das áreas classificadas como seca fraca, o que indica uma redistribuição da intensidade, mas não o fim do problema. Na prática, o estado continua integralmente impactado pela estiagem, ainda que em níveis distintos.
De acordo com os dados, 97 municípios estão em seca fraca, outros 137 municípios em seca moderada e 64 municípios seguem em seca grave. O número ultrapassa os 224 municípios do estado, tendo em vista que algumas cidades têm níveis diferentes no mesmo território.
Segundo a Semarh, mesmo os níveis mais leves já trazem consequências perceptíveis, como danos às lavouras e redução de níveis de rios. Outro ponto importante destacado no boletim é a metodologia utilizada: um mesmo município pode aparecer em mais de uma categoria. Isso permite uma leitura mais precisa e detalhada da realidade hídroclimatológica local.

Para o climatologista da Semarh, Pedro Aderaldo, o cenário exige atenção, sobretudo pelo momento do ano. “Apesar de ainda ser cedo para um diagnóstico fechado, o fato de todo o estado permanecer em algum nível de seca mesmo durante o período chuvoso é um indicativo importante. Isso pode sinalizar que teremos um segundo semestre com seca intensa”, avalia.
O Monitor de Secas é uma ferramenta estratégica para o Estado, reunindo dados georreferenciados, comparações mensais e análises que orientam políticas públicas. As informações são fundamentais para o planejamento hídrico, definição de ações emergenciais e mitigação dos impactos da estiagem, especialmente em regiões mais vulneráveis.
A classificação do Monitor de Secas varia de S0 a S4, sendo que as categorias mais severas (S2, S3 e S4) são consideradas eventos mais raros, com tempo de retorno superior a 10 anos. Já os níveis S0 e S1 são mais recorrentes, embora também causem impactos relevantes, principalmente na agricultura e no abastecimento.