O Piauí registrou uma redução de 40% nos óbitos por Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre 2022 e 2025, passando de 909 para 533 mortes. A queda coincide com a ampliação da assistência especializada no estado, que inclui a implantação da Unidade de AVC no Hospital Getúlio Vargas (HGV), em Teresina, a descentralização dos atendimentos e o uso da telemedicina para agilizar o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.
Os dados epidemiológicos também apontam uma redução nos óbitos por Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Entre 2022 e 2025, as mortes passaram de 1.866 para 1.217, uma queda de 34%. Os resultados acompanham o fortalecimento das linhas de cuidado voltadas às duas doenças, com ampliação do acesso ao atendimento especializado e à realização de procedimentos em tempo oportuno.

De acordo com os registros parciais de 2026, foram contabilizados 330 óbitos por AVC e 813 por IAM até o momento. Na comparação com os números de 2022, as reduções chegam a 63% e 56%, respectivamente. Como 2026 ainda está em andamento, assim como os dados de 2025 podem estar sujeitos a atualizações, os percentuais podem sofrer alterações até a consolidação dos indicadores.
O modelo assistencial adotado no Piauí já contabiliza mais de 17 mil atendimentos e 1.835 trombólises realizadas. O procedimento consiste na administração de medicamentos para dissolver coágulos e restabelecer o fluxo sanguíneo, sendo uma das opções de tratamento para pacientes com AVC isquêmico, conforme avaliação clínica e critérios médicos.
Segundo Benoni Carvalho, coordenador das Linhas de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e AVC da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), a implantação da unidade especializada e a estruturação da rede de atendimento contribuíram para melhorar a assistência aos pacientes.

“Até 2022, o Piauí era o estado com a maior mortalidade por AVC. Após a implantação da unidade e a estruturação dessa linha de cuidado, tivemos uma redução importante, de cerca de 40%. A avaliação rápida, com apoio da telemedicina, e a disseminação do tratamento trombolítico foram fundamentais para melhorar a assistência aos pacientes”, explicou.
O diretor da Rede de Urgência e Emergência (RUE) da Sesapi, Telmo Mesquita, ressalta que a prevenção e o reconhecimento dos sintomas também são fundamentais para reduzir os riscos associados às doenças cardiovasculares. Hipertensão arterial e sedentarismo estão entre os fatores de risco que exigem atenção.

Nesta quinta-feira (29), Dia Mundial de Combate ao AVC, a Sesapi promoveu uma ação de conscientização com policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRE). A atividade, realizada por meio da RUE e das Linhas de Cuidado do IAM e AVC, abordou a prevenção, a identificação dos sintomas e a importância do atendimento imediato.
Entre os principais sinais de AVC estão alterações na fala e na visão, tontura, perda de equilíbrio e dificuldade para caminhar. Diante desses sintomas, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192. A rapidez no atendimento é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir o risco de sequelas.
