As mortes em sinistros de trânsito representaram, em 2024, a sétima principal causa de óbitos no Piauí, tendo registrado 1.165 pessoas que perderam a vida em ocorrências registradas nas vias do estado, o que representa uma média de três mortes por dia. Os números acendem um alerta para a necessidade de ampliar o debate sobre os impactos dos sinistros na saúde pública e os desafios para salvar vidas.
Os dados foram divulgados durante o 2º Seminário Piauiense de Trânsito e Saúde Pública realizado, nesta terça-feira (26), no auditório do Ministério Público do Piauí. O evento, organizado pelo Departamento Estadual de Trânsito do Piauí (Detran-PI) e pelo Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados da Universidade Federal do Piauí (CIATEN/UFPI) discutiu temas como os custos dos sinistros de trânsito, os impactos no atendimento de urgência e emergência, o monitoramento e a integração de dados, além da mortalidade no trânsito e seus desafios futuros.

O representante do CIATEN/UFPI, Márcio Mascarenhas, destacou que os sinistros de trânsito são a principal causa de morte entre pessoas de 20 a 39 anos, superando outras causas, como homicídios e suicídios.
Segundo ele, os dados reforçam a necessidade de ações concretas para reduzir o número de vítimas, como o aumento da fiscalização, o controle de velocidade, a ampliação das operações da Lei Seca, o uso correto de capacetes e cintos de segurança, além de investimentos em educação e engenharia de tráfego.

“Além dessas ações, é necessária a interlocução entre as instituições para fortalecer a vigilância e a integração de dados, com o monitoramento do número de óbitos e internações e a unificação dos diversos sistemas de informação. Isso permitirá a identificação de áreas críticas e, a partir de dados qualificados, a adoção de medidas que ajudarão a salvar vidas”, afirma.
Com esse objetivo, o Departamento Estadual de Trânsito do Piauí (Detran-PI) tem intensificado ações educativas voltadas à mudança de comportamento dos condutores. A diretora da Escola de Trânsito do Detran-PI, Liliam Araújo, explica que as atividades fazem parte da rotina do órgão e ganham reforço durante o Maio Amarelo. “Orientamos sobre a importância da segurança e do respeito no trânsito para estimular a mudança de comportamento dos condutores, reduzir o número de sinistros e, consequentemente, as mortes. Neste mês, intensificamos essas ações por causa do Maio Amarelo”, destaca.

Para Carlos Henrique Nery Costa, coordenador-geral do CIATEN/UFPI, o seminário é fundamental para discutir aquele que ele considera o principal problema de saúde pública do estado: os acidentes com motociclistas.
“Essa é uma tragédia que vem se agravando principalmente no Piauí, mas também em todo o Norte e Nordeste, ceifando vidas e causando um forte impacto econômico, especialmente para as famílias das vítimas. É um problema com o qual o Brasil ainda não aprendeu a lidar plenamente. Somos um grupo de pesquisadores apoiado pelo Governo do Estado na busca por soluções para esse gravíssimo problema”, afirma.
O evento também reuniu representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Ministério Público do Piauí, do Departamento de Estradas de Rodagem do Piauí (DER-PI), do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Piauí (Cosems-PI) e do Sindicato de Motociclistas e Mototaxistas.